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Vol. 10. Núm. 3.
Páginas 142-146 (Septiembre 2017)
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Vol. 10. Núm. 3.
Páginas 142-146 (Septiembre 2017)
Artículo original
DOI: 10.1016/j.ramd.2014.11.004
Open Access
Efeitos do treinamento resistido sobre o perfil lipídico de indivíduos com síndrome metabólica
Efectos del entrenamiento de la resistencia en el perfil bioquímico en personas con síndrome metabólico
Effects of resistance training on the lipid profile of subjects with metabolic syndrome
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R.A. Albarelloa, J. Boufleur Farinhaa, C. Reckelberg Azambujaa,b,
Autor para correspondencia
cati.razambuja@hotmail.com

Autor para correspondência.
, D. Lopes dos Santosa,b
a Núcleo de Estudos em Exercício Físico e Saúde, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
b Programa de Pós Graduação Educação Física, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
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Tabela 1. Variáveis antropométricas e funcionais, antes e após 15 semanas de treinamento resistido, em indivíduos com síndrome metabólica
Tabela 2. Parâmetros bioquímicos antes e após 15 semanas de treinamento resistido
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Resumo
Objetivo

Investigar os efeitos do treinamento resistido sobre o perfil lipídico de indivíduos com síndrome metabólica.

Método

Dez indivíduos sedentários (52.88±10.9 anos) com síndrome metabólica completaram um protocolo de treinamento resistido, com duração total de 15 semanas e frequência semanal de 3 vezes. Antes e após o treinamento resistido, foram analisados parâmetros antropométricos, como massa corporal, índice de massa corporal, circunferências do abdômen, cintura, quadril, percentagem de gordura corporal total, conteúdo de massa magra. Além disso, foi estimado o consumo máximo de oxigênio e foram verificados parâmetros bioquímicos, como colesterol total, triglicerídeos, lipoproteína de alta densidade, lipoproteína de baixa densidade, glicose e ureia.

Resultados

A intervenção não modificou estatisticamente a massa corporal, o índice de massa corporal, as circunferências de cintura e quadril, o percentual de gordura corporal total, o conteúdo de massa magra, os níveis bioquímicos do colesterol total, triglicerídeos, lipoproteína de baixa densidade e glicose. Entretanto, o treinamento resistido provocou um aumento dos níveis de lipoproteína de alta densidade, e uma diminuição significativa da circunferência do abdômen e da concentração de ureia.

Conclusão

Maiores concentrações de lipoproteína de alta densidade, a diminuição da circunferência do abdômen e menores níveis de ureia, bem como provocados pelo treinamento resistido na população em questão são reflexão de menor risco cardiovascular, indicando que o treinamento resistido pode ser benéfico.

Palavras‐chave:
Obesidade
Sedentarismo
Treinamento de resistência
Lipoproteínas
Circunferência do Abdômen
Resumen
Objetivo

Investigar los efectos del entrenamiento de fuerza sobre el perfil lipídico de las personas con síndrome metabólico.

Método

Diez personas sedentarias (52.88±10.9 años) con síndrome metabólico completaron un protocolo de entrenamiento de fuerza de 15 semanas de duración total y tres sesiones semanales. Antes y después de entrenamiento de fuerza, se analizaron parámetros antropométricos como la masa corporal, el índice de masa corporal, las circunferencias abdominal, de la cintura y de la cadera, porcentaje de grasa corporal y la masa magra. Además, se estimó el consumo máximo de oxígeno y se analizaron parámetros bioquímicos como el colesterol total, triglicéridos, lipoproteínas de alta densidad, lipoproteínas de baja densidad, glucemia y urea.

Resultados

La intervención no modificó estadísticamente masa corporal, índice de masa corporal, circunferencia de la cintura y la cadera, el porcentaje de grasa corporal total, el contenido de masa magra, los niveles bioquímicos de colesterol total, triglicéridos, lipoproteínas de baja densidad y glucosa. Sin embargo, el entrenamiento de fuerza provocó aumento en las lipoproteínas de alta densidad, disminución significativa en la circunferencia abdominal y en la concentración de urea.

Conclusión

Las concentraciones altas de lipoproteínas de alta densidad, los niveles más bajos de urea, así como la reducción de la circunferencia abdominal, inducidos por el entrenamiento de fuerza en esta población, son reflejo de una reducción del riesgo cardiovascular, lo que indica que el entrenamiento de fuerza puede ser beneficioso.

Palabras clave:
Obesidad
Sedentarismo
Entrenamiento de fuerza
Lipoproteínas
Circunferencial abdominal
Abstract
Objective

To investigate the effects of resistance training on the lipid profile of Metabolic Syndrome patients.

Method

Ten sedentary subjects (52.88±10.9 years) with Metabolic Syndrome completed a resistance training protocol with a total duration of 15 weeks, three times per week. Before and after the resistance training, anthropometric parameters, such body mass, body mass index, abdominal, waist and hip circumferences, percentage of body fat and muscle mass content were analyzed. Furthermore, the maximal oxygen uptake was estimated and biochemical parameters, such as total cholesterol, triglycerides, high‐density lipoprotein, low‐density lipoprotein, glycemia and urea were analyzed.

Results

The intervention didn’t statistically modified body mass, body mass index, circumferences of waist and hip, the percentage of total body fat, lean mass content, the biochemical levels of total cholesterol, triglycerides, low‐density lipoprotein and glucose. However, the resistance training provoked an increase in high‐density Lipoprotein levels and a significant decrease in abdominal circumference and urea concentration.

Conclusion

Higher concentrations of high‐density Lipoprotein and lower levels of urea as well as the reductions in abdominal circumference provoked by resistance training in this population are indicators of a lower cardiovascular risk, indicating that the resistance training may be beneficial.

Keywords:
Obesity
Sedentary Lifestyle
Resistance Training
Lipoproteins
Abdominal circumference
Texto completo
Introdução

A síndrome metabólica (SM) é caracterizada como um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, usualmente relacionado à deposição central de gordura e à resistência insulínica. Além disso, a SM é responsável por aumentar a mortalidade cardiovascular em 2.5 vezes1. Nesse sentido, foi aplicada a definição de SM proposta pela Third Report of the National Cholesterol Education Program Expert Panel on Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults (NCEP‐ATP III), a qual estabelece como critério a combinação de pelo menos dos seguintes componentes: circunferência abdominal superior a 102cm nos homens e superior a 88cm nas mulheres; níveis de triglicerídeos (TG) iguais ou superiores a 150mg/dL ou uso de medicação específica; níveis séricos de lipoproteína de alta densidade (HDL‐c) menores que 40mg/dL nos homens e menores que 50mg/dL nas mulheres, ou uso de medicação específica; níveis de pressão arterial sistólica iguais ou superiores a 130mmHg e de pressão arterial diastólica iguais ou superiores a 85mmHg, ou uso de medicação específica; e níveis glicêmicos em jejum iguais ou superiores a 110mg/dL, ou uso de medicação específica2.

As dislipidemias apresentam papel central no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Elevadas concentrações de TG, colesterol total (CT) e de lipoproteína de baixa densidade (LDL‐c), associadas à diminuição nos valores de HDL‐c, aumentam a probabilidade do desenvolvimento da aterosclerose3. Assim, recomenda‐se que a obesidade seja o alvo principal do tratamento da SM2, já que a perda de peso melhora o perfil lipídico, diminui a pressão arterial e a glicemia, além de melhorar a sensibilidade à insulina, reduzindo o risco de doença aterosclerótica4.

A prática regular de exercícios físicos tem sido recomendada por diferentes associações, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia1, para a prevenção e a reabilitação de doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas não transmissíveis. Estudos epidemiológicos têm demonstrado uma forte relação entre a inatividade física e a presença de múltiplos fatores de risco5, e associações entre envelhecimento e perda de força e massa muscular, enquanto outras investigações têm relatado efeitos benéficos do exercício físico sobre a hipertensão arterial, resistência insulínica, diabetes, dislipidemia e obesidade6. Nesse sentido, sabe‐se que a obesidade visceral aumenta em torno de 300% entre os 25‐65 anos de idade, aumentando o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, mesmo em adultos com índice de massa corporal (IMC) classificado como normal7.

O treinamento resistido (TR) apresenta um importante papel na busca pelo emagrecimento, pois está associado ao aumento da taxa metabólica de repouso, através da manutenção e/ou aumento da massa muscular, e aumento no consumo de energia pós‐exercício8. Este tipo de treinamento promove aumento da força e da resistência muscular localizada, podendo melhorar a execução das tarefas da vida diária. O TR tem sido utilizado como parte integrante de programas para a melhora das capacidades físicas em indivíduos com doenças crônicas não transmissíveis, como a SM. Além disso, a prática regular do TR pode resultar em mudanças no desempenho motor, na força muscular, na composição corporal e, consequentemente, na estética corporal9. No entanto, a intensidade e o volume do TR necessários para causar modificações benéficas no perfil lipídico de indivíduos com SM são controversos10. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi verificar os efeitos do TR sobre o perfil lipídico e a composição corporal de indivíduos com SM.

MétodoParticipantes

O grupo de estudo foi composto por 10 indivíduos com idade entre 38‐66 anos (52.88±10.9 anos), praticantes de musculação há 3 meses, sendo 8 do sexo feminino e 2 do sexo masculino, participantes de um projeto de pesquisa e extensão do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os (as) voluntários (as) possuíam 2 ou mais dos critérios de diagnóstico da SM2. Adotaram‐se como critérios de exclusão a ausência em mais de 25% das sessões das intervenções propostas, mudanças no uso de alguma medicação e variação muito grande na dieta, que foi avaliada ao início e ao final do TR através de um recordatório alimentar. Todos os indivíduos recrutados foram informados sobre os objetivos e a metodologia do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O protocolo deste estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSM, sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética número 0032.0.243.000‐07, e acompanha as normas da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas envolvendo seres humanos. Anteriormente às intervenções, também foi aplicada uma anamnese previamente estruturada pelo grupo de pesquisadores.

Programa de treinamento resistido

O TR teve duração de 15 semanas, sendo as sessões realizadas nas segundas, quartas e sextas‐feiras na sala de musculação do CEFD da UFSM. As sessões do TR eram constituídas de três séries de 10 repetições em cada aparelho, com um intervalo de 60‐90 segundos entre as séries. A intensidade de treinamento foi estabelecida em 70% de uma repetição máxima (RM)11. Utilizou‐se o teste de Baechle12, também conhecido como teste de RM para a predição da carga de treinamento, proporcionando um menor risco para a população estudada. O teste de RM foi realizado nos 10 exercícios que faziam parte da rotina de TR: voador peitoral, puxada alta, rosca tríceps, rosca bíceps, voo lateral, leg press, extensor dos joelhos, flexor dos joelhos, flexão plantar e cadeira abdutora.

O TR proposto teve como objetivo diminuir as perdas fisiológicas e contribuir para uma melhor realização das atividades de vida diária13. Este treinamento foi realizado posteriormente a uma fase de adaptação, para que os alunos se adequassem aos exercícios e as cargas. Ao início de cada sessão, o aquecimento era orientado coletivamente e, ao término da mesma, o alongamento era realizado individualmente. Cada sessão de treino durava em média 60 minutos.

Avaliação antropométrica

Todos os testes descritos a seguir foram realizados pelo mesmo avaliador e no mesmo horário do dia, antes da 1.ª e após a 15.ª semana do TR. A estatura e a massa corporal foram verificadas com o uso de um estadiômetro portátil com resolução de 1mm (Cardiomed, Curitiba, Brasil) e uma balança digital com sensibilidade de 0.1kg (Plenna, São Paulo, Brasil). Para a medição das circunferências do abdômen, da cintura, do quadril, do antebraço, do bíceps relaxado, do bíceps contraído e da panturrilha (CP), foi utilizada uma fita inelástica graduada em milímetros (Cardiomed, Curitiba, Brasil), de acordo com protocolos previamente descritos na literatura14.

Avaliação da aptidão cardiorrespiratória

A capacidade cardiorrespiratória foi avaliada através do teste de caminhada de uma milha15. Através de um cálculo que utiliza informações como a idade, massa corporal, sexo, tempo transcorrido e a frequência cardíaca do indivíduo no final do teste, tem‐se uma estimativa do consumo máximo de oxigênio (VO2máx). O teste foi realizado na pista atlética do CEFD da UFSM.

Coletas e análises sanguíneas

As coletas sanguíneas foram realizadas após os indivíduos permanecerem 12 horas em jejum e sem terem realizado exercícios físicos nas 48 horas anteriores. Amostras sanguíneas foram coletadas através da punção venosa em tubos Vacutainers® sem anticoagulantes (BD Diagnostics, Plymouth, Reino Unido). Posteriormente, as amostras foram centrifugadas a 2500r/min durante 15 minutos e o soro utilizado para os ensaios bioquímicos. As concentrações de CT, HDL‐c, TG, glicose e ureia foram determinadas através de kits colorimétricos comercialmente disponíveis (Labtest, Lagoa Santa, Brasil). Os níveis de LDL foram estimados através de uma equação previamente estabelecida16.

Análise estatística

A estatística descritiva dos resultados está apresentada como valor da média±desvio padrão da média (DP). A normalidade dos dados foi verificada através do teste de Shapiro‐Wilk. Utilizou‐se o teste t pareado de Student ou o teste de Wilcoxon na comparação pré e pós‐intervenção, conforme a distribuição dos dados. Foi utilizado o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, Chicago, Estados Unidos da América) versão 14.0 e adotado um nível de significância de 5%.

Resultados

Na tabela 1, são apresentados os dados antropométricos e funcionais da amostra. Observa‐se que o TR alterou significativamente os valores da CA (p=0.017), da CP (p=0.042) e do VO2máx (p=0.039), sem causar mudanças significativas nas demais variáveis.

Tabela 1.

Variáveis antropométricas e funcionais, antes e após 15 semanas de treinamento resistido, em indivíduos com síndrome metabólica

Variável  Antes  Depois 
Massa corporal (kg)  85.41±8.53  84.70±8.24 
IMC (kg/m231.35±4.20  31.09±4.14 
Circunferência da cintura (cm)  96.64±11.66  94.57±12.16 
Circunferência do quadril (cm)  108.77±7.27  108.38±8.41 
Circunferência do abdômen (cm)  106.63±12.03  103.91±13.05* 
Circunferência do antebraço (cm)  25.78±4.52  28.83±3.40 
Circunferência do bíceps relaxado (cm)  32.76±3.18  33.53±3.81 
Circunferência do bíceps contraído (cm)  34.77±3.41  34.81±4.06 
Circunferência da panturrilha (cm)  39.94±4.40  40.78±4.30* 
Gordura corporal (%)  38.02±7.65  39.11±7.23 
Conteúdo de massa magra (kg)  62.00±7.65  60.88±7.23 
Consumo máximo de oxigênio (ml.kg.‐1min.‐1)  23.45±8.52  28.96±6.69* 
*

p<0.05 em relação à antes do treinamento resistido.

Na tabela 2, observa‐se que o TR provocou um aumento nos níveis de HDL‐c (p=0.008) e uma diminuição na concentração de ureia (p=0.011), sem causar alterações significativas nas demais variáveis bioquímicas.

Tabela 2.

Parâmetros bioquímicos antes e após 15 semanas de treinamento resistido

Variável  Antes  Depois 
Colesterol total (mg/dL)  163.7±11.6  171.1±48.3 
Triglicerídeos (mg/dL)  107.7±85.7  85.0±36.3 
Lipoproteína de alta densidade (mg/dL)  39.8±11.6  48.6±7.9* 
Lipoproteína de baixa densidade (mg/dL)  102.4±39.3  105.5±49.7 
Glicose (mg/dL)  93.0±27.5  96.7±23.7 
Ureia (mg/dL)  46.4±7.5  40.6±5.2* 
*

p<0.05 em relação à antes do treinamento resistido.

Discussão

O TR tem sido recomendado por diversas organizações de saúde como parte importante de programas de prevenção de doenças e reabilitação funcional de adultos17, idosos18 e portadores de doenças crônicas degenerativas19,20. A SM tem recebido muita atenção nos últimos anos por estar cada vez mais presente na sociedade moderna. Vários estudos têm relatado os benefícios da prática regular de exercícios físicos na prevenção e no tratamento dos fatores de risco desta doença crônica21.

A diminuição dos fatores de risco cardiovascular tem sido demonstrada por estudos que reforçam a associação entre a força muscular e a melhora nos perfis bioquímicos e hemodinâmicos dos praticantes de TR22–25. No presente estudo, não foram encontradas diferenças significativas dos níveis de CT, LDL‐c, glicemia e TG nos pacientes após as 15 semanas de TR. Nesse sentido, outras investigações também demonstram que o TR não altera os níveis de TG e glicose em indivíduos com SM26–29. Em contrapartida, observou‐se uma redução nos níveis de ureia e um aumento dos níveis de HDL‐c.

Indo ao encontro dos resultados aqui observados, pesquisas relatam os efeitos benéficos do exercício regular pelo aumento nos níveis de HDL‐c, sendo essas alterações atribuídas à diminuição de sua degradação no fígado e ao aumento de sua síntese30. O aumento da concentração de HDL‐c é considerado protetor, pois se associa ao baixo teor de lipídios e lipoproteínas que causam danos à concentração elevada de HDL‐c, responsável pela mobilização dos lipídios da parede arterial31. Diante disso, sugere‐se que, apesar de não ter sido encontrada uma diminuição dos níveis de LDL‐c e de TG, provavelmente porque os mesmos apresentavam valores iniciais considerados como normais2, o aumento significativo da concentração de HDL‐c é considerado benéfico e positivo para a saúde dos participantes do presente estudo.

Nesse sentido, já foi demonstrado que o exercício físico modifica a atividade da enzima triacilglicerol lípase hepática, provocando uma menor transformação de HDL2 em HDL3 na circulação, ocasionado uma maior permanência de HDL2 na circulação, que por sua vez capta mais TG e colesterol, explicando o efeito benéfico do treinamento físico10. Além disso, o aumento do HDL‐c, através de hábitos de vida saudáveis e a prática sistemática de exercícios físicos, é considerado um dos mais importantes fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares10.

Nesse sentido, já foi demonstrado que, diferentemente do que ocorre com os praticantes de atividades esportivas com finalidade de competição, os indivíduos submetidos à prática rotineira de exercícios moderados não apresentam modificações na maioria dos níveis plasmáticos de lipídios e lipoproteínas ou estes são pouco expressivos32. Esta é a situação observada no presente estudo, sendo comprovada pela maioria dos exames bioquímicos. Os mecanismos, através dos quais a força muscular contribui para a diminuição da obesidade e de seus fatores de risco, incluem a redução na gordura abdominal, diminuição da concentração de TG no plasma, aumento do HDL‐c e controle glicêmico21.

Recentemente, foram investigados os efeitos de diferentes intensidades e volumes de treinamento físico sobre a sensibilidade da insulina 24 horas pós‐exercício33. Os autores verificaram que todos os protocolos testados melhoraram a sensibilidade à insulina, glicemia e insulina de jejum. Contudo, o treinamento realizado em alta intensidade (85% de uma RM) foi mais eficaz no aumento da sensibilidade insulínica, quando comparado aos treinamentos de intensidade moderada (65% de uma RM). Nesse sentido, em uma investigação que objetivou verificar o efeito de um programa de exercícios resistidos na composição corporal e hemoglobina glicada, além do efeito agudo sobre a glicemia capilar34, os indivíduos obtiveram resultados positivos como o aumento da massa corporal e massa magra, além da diminuição do percentual de gordura e glicemia capilar, porém não houve modificações nos níveis de hemoglobina glicada. As autoras concluíram que os exercícios resistidos são efetivos para o aumento da massa corporal e massa magra, diminuição do percentual de gordura corporal e níveis de glicemia capilar, fatores esses importantes no controle a diabetes.

Níveis de ureia elevados ocorrem em pacientes com doença renal, fluxo sanguíneo reduzido (desidratação, por exemplo), obstrução do trato urinário e em catabolismo de proteína aumentado (queimaduras). Níveis deprimidos de ureia ocorrem em comprometimento hepático grave, desnutrição e super‐hidratação. Em um recente estudo realizado com homens adultos, observou‐se uma redução dos níveis séricos de ureia após 8 semanas de treinamento aeróbico, bem como após 8 semanas de TR35, indo ao encontro dos resultados aqui relatados. Nesse sentido, foi recentemente proposto que o treinamento físico promove benefícios sobre o perfil renal, contribuindo para uma maior atividade da renina plasmática e da taxa de filtração glomerular em indivíduos com SM e sem doenças renais crônicas36.

Conclui‐se que o TR com duração de 15 semanas não alterou significativamente a maioria dos marcadores bioquímicos em indivíduos com SM. Entretanto, o mesmo alterou beneficamente os níveis de HDL‐c e ureia, proporcionando um menor risco cardiovascular à população. Além disto, este tipo de treinamento diminuiu a circunferência abdominal dos indivíduos estudados, que é um dos principais fatores determinantes da SM. Assim, a prática do treinamento com pesos deve ser estimulada para qualquer indivíduo, pois a força muscular é considerada, atualmente, como um dos componentes da aptidão física relacionada à saúde. Como fatores limitantes do presente estudo, podemos destacar a ausência de um grupo controle e o tamanho amostral.

Conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Laboratório de Análises Clínicas (LABIMED) pelo apoio técnico e incentivo à pesquisa.

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